sábado, 14 de janeiro de 2017

Bezerra de Menezes: Alguns fatos da sua missão

Adolfo Bezerra de Menezes nasceu em 29 de agosto de 1831, em Riacho do Sangue, no Ceará, descendente das primeiras famílias que vieram do sul povoar aquele estado.

Em 1838, entrou para a escola pública Vila do Frade e formou-se em 1856 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 06 de janeiro de 1858, casou-se com Dona Maria Cândida Lacerda, que faleceu em 24 de março de 1863, deixando dois filhos pequenos. Casou-se então algum tempo depois com sua cunhada, irmã de sua esposa por parte de mãe, com quem teve mais sete filhos.

Bezerra queria tornar-se médico, mas o pai, que enfrentava dificuldades financeiras, não podia custear-lhe os estudos. Em 1851, aos 19 anos, tomou ele a iniciativa de ir para o Rio de Janeiro, a então capital do Império, a fim de cursar medicina, levando consigo a importância de 400 mil réis, que os parentes lhe deram para ajudar na viagem. Com muito esforço e dedicação Bezerra conseguiu se tornar um médico.

Ficou conhecido como “O médico dos pobres”

Bezerra de Menezes tinha o encargo de médico como verdadeiro sacerdócio. Por isso, dizia:

“O médico verdadeiro não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto. O que não atende por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou tempo, ficar longe, ou no morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem como pagar a receita, ou diz a quem chora à porta que procure outro – esse não é médico, é negociante de negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros os gastos da formatura. Esse é um desgraçado, que manda, para outro, o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu espírito, a única que jamais se perderá nos vaivens da vida.”

(Fonte: Livro: “Vida e Obra de Bezerra de Menezes”)

Bezerra de Menezes Em 1861 entrou na política

Com isso, levantaram-se contra ele, a exemplo do que sucede com todos os políticos honestos, rudes campanhas de injúria, cobrindo seu nome de impropérios. Entretanto, deu prova da pureza de sua alma, quando deliberou abandonar a vida pública e dedicou-se aos pobres, repartindo com os necessitados o pouco que possuía. Corria sempre onde houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto de sua palavra de bondade, o recurso da sua profissão de médico e o auxílio da sua bolsa minguada e generosa.  

Conheceu a Doutrina Espírita através de um amigo,o também médico Dr. Joaquim Carlos Travassos, que fez a tradução da obra Livro dos Espíritos para o português e deu um exemplar com dedicatória à Bezerra. Ele próprio mais tarde registrou a sua primeira impressão sobre a obra:

“Deu-mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ora, Deus! Não hei de ir para o inferno por ler isto… Depois, é ridículo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas.

Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu Espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!… Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no ‘O Livro dos Espíritos’. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente”

(Fonte: http://www.oconsolador.com.br)

O contato com a doutrina espírita

Consolidava-lhe de vez o seu ideal de amor ao próximo, como um incansável trabalhador e exemplo vivo de integridade, coerência e humanismo e aos 63 anos de idade assumiu a presidência da Federação Espírita Brasileira.

Dr. Bezerra de Menezes exemplificou, em todos os lances da sua experiência na carne, o desapego às coisas do mundo. Em 11 de abril de 1900, às 11h30, ele desencarnou no Rio de Janeiro, mas suas atividades aqui não se encerraram. Até hoje, o médico dos pobres continua servindo do plano espiritual para nós encarnados aqui na Terra.

Texto publicado no site da TV Mundo Maior com modificações da Equipe de Comunicação do LEAE